Divisão de Engenharia Civil Ano: 2025

(Turma 2025, TGs 2025)

Dinâmicas urbanas e áreas verdes : uma abordagem geoespacial e socioeconômica (pdf 9,0 MB)

Autor: Leticia Marcela Pinheiro Rodrigues

Orientador(es): Prof. Eduardo Moraes Arraut

Relator(es): Wilson Cabral de Sousa Júnior

Ano: 2025

Resumo:

O presente trabalho analisa a relação entre a cobertura vegetal urbana e os indicadores socioeconômicos no município de São José dos Campos (SP), buscando compreender se a distribuição das áreas verdes reflete desigualdades socioambientais. Parte-se da hipótese de que o acesso à vegetação urbana pode variar conforme a renda e a escolaridade da população, configurando situações de injustiça ambiental. O estudo teve como objetivo geral avaliar a distribuição espacial da vegetação e sua correlação com variáveis de renda média domiciliar e taxa de alfabetização, a partir de técnicas de geoprocessamento e análise espacial. As imagens do satélite CBERS-4A foram processadas no software QGIS, utilizando classificação supervisionada com o algoritmo Random Forest, a fim de mapear as classes de uso e cobertura da terra. Em seguida, os índices de Moran Global e Local foram aplicados para investigar padrões de autocorrelação espacial, complementados por correlação de Pearson entre as variáveis. Os resultados mostraram que a vegetação apresenta distribuição relativamente homogênea, mas fragmentada, sem correlação espacial significativa com renda e alfabetização. Apesar disso, identificaram-se áreas periféricas com baixos índices simultâneos de vegetação e condições socioeconômicas, concentradas em seis bairros abaixo da mediana, entre os quais o subdistrito Eugênio de Melo se destaca como caso emblemático de vulnerabilidade socioambiental. Conclui-se que, embora São José dos Campos apresente avanços em equidade ambiental, ainda persiste o desafio de transformar essa distribuição em equidade territorial efetiva.

Abstract:

This study examines the relationship between urban vegetation cover and socioeconomic indicators in the municipality of São José dos Campos, Brazil, aiming to determine whether the distribution of green areas reflects patterns of environmental inequality. The research assumes that access to urban vegetation may vary according to income and education levels, generating potential cases of environmental injustice. The main objective was to evaluate the spatial distribution of vegetation and its correlation with household income and literacy rate through geospatial and spatial-statistical methods. CBERS-4A satellite images were processed in QGIS using supervised classification with the Random Forest algorithm to map land use and cover classes. Spatial dependence was analyzed using Global and Local Moran's I indices, complemented by Pearson's correlation between variables. The results indicate that vegetation is relatively homogeneous but spatially fragmented, showing no significant spatial correlation with income or literacy. Nevertheless, the study identified peripheral areas with simultaneously low levels of vegetation and socioeconomic conditions, concentrated in six neighborhoods below the municipal median, with the subdistrict of Eugênio de Melo standing out as a representative case of socio-environmental vulnerability. The findings suggest that, although São José dos Campos shows progress toward environmental equity, the challenge remains to translate this distribution into effective territorial equity.